O Natal passou como uma ceia, rápido e intenso. Já o Réveillon foi explosivo: acabou depois de 17 longos minutos em que os fogos queimam. A vida passou e já estamos aqui de (ano) novo. Sobram os pacotes de presente que pretendemos, quem sabe, usar um dia para embrulhar algum mimo. As garrafas de bebida já foram para o lixão e os panetones foram expulsos das prateleiras – um verdadeiro absurdo com essa delícia da culinária. Restam as árvores de Natal, as naturais é claro, a espera de uma solução. Elas aguardam no quintal, na garagem ou na porta de casa. O que fazer com elas?
Plantar não é uma opção. As árvores de Natal são pinheiros que nos lembraram, durante todo o ano, o espírito natalino – o que seria deselegante para seres modernos e efêmeros como nós. Enquanto isso, os galhos começam a secar. A esperança seca. Ela não terá abrigo, não terá solução e morrerá, desaguada – a árvore, é claro. Ela que, por alguns dias, ficou iluminada, enfeitada, com seus pés cobertos, agora está largada, como uma grande estrela de cinema em uma casa de repouso.
A solução então é, depois de totalmente seca, cortá-la em pedaços e jogá-la em um saco preto. Agora, basta esperar doze meses para os panetones, os fogos de artifício e a esperança (também de artifício) voltar às prateleiras e podermos montar, com muita alegria e espiríto natalino, uma nova árvore. Saúde é o que importa, o resto a gente corre atrás.
Nunca tinha pensado na árvore dessa maneira. Já tive algumas delas … Quem sabe no próximo Natal eu plante alguma esperança!