NUMA TARDE DIANTE DE UMA JANELA

Os telhados alaranjados não nos presenciam. As antenas não nos veem. Nos vemos, um ao outro, frente a frente. Nos encaramos, diante dessa janela que nos reflete e nos faz em quadro. Ninguém mais nos vê – além de nós mesmos. Os pombos que voam, pulando de casa em casa, não nos notam.

Somos só nós dois duelando essa solidão. O preto de seu olhar me retrata. O branco do meu olhar te brilha. Nos confundimos. Somos nós ali: presentes e ausentes. Um está no outro. Nada mais nos abastece a não ser nós mesmos.

Não há hora para o adeus, ao menos agora. Não podemos nos desfazer, nos despedir. Os telhados alaranjados agora cumprem o seu papel de deter as águas que caem do céu. Os pombos se refugiam por entre as brechas. Eu, me refugio em seu olhar, que me protege.

3 Comentários

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3 Respostas a NUMA TARDE DIANTE DE UMA JANELA

  1. emocionante essa exalar de melancolia e paixão.
    gostei Lu. :)

  2. Marcelo Rezende

    Gostosa essa conexão e certeza.

    Bom domingo.

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