Os telhados alaranjados não nos presenciam. As antenas não nos veem. Nos vemos, um ao outro, frente a frente. Nos encaramos, diante dessa janela que nos reflete e nos faz em quadro. Ninguém mais nos vê – além de nós mesmos. Os pombos que voam, pulando de casa em casa, não nos notam.
Somos só nós dois duelando essa solidão. O preto de seu olhar me retrata. O branco do meu olhar te brilha. Nos confundimos. Somos nós ali: presentes e ausentes. Um está no outro. Nada mais nos abastece a não ser nós mesmos.
Não há hora para o adeus, ao menos agora. Não podemos nos desfazer, nos despedir. Os telhados alaranjados agora cumprem o seu papel de deter as águas que caem do céu. Os pombos se refugiam por entre as brechas. Eu, me refugio em seu olhar, que me protege.
emocionante essa exalar de melancolia e paixão.
gostei Lu.
esse*
Gostosa essa conexão e certeza.
Bom domingo.