É preciso acordar aos poucos. Deixar o corpo deitado, os olhos levemente abertos, a alma se acalmar e te encontrar. É preciso despertar sem pressa. Respirar e sentir que ainda está ali. Ir aos poucos mexendo os dedos do pé, os punhos, o pescoço. Amanhecer sem se preocupar com o dia, deixar o corpo levantar e sentir o ar enchendo seus pulmões.
Olhe ao redor. É sua vida orbitando em você. Pequenos pedaços do seu dia anterior, vários fragmentos da sua história. Você ali, preso na parede. Acorde, sem se preocupar com o resto do dia. Respire aquele instante. A cidade já acordou. Já há pão na esquina, o jornal já está na porta, os semáforos já barram os atrasados.
As manhãs são necessárias. São o raiar de uma nova vida, todo santo dia. A oportunidade de recomeçar. Por isso não acorde como quem levou um açoite. Saia do sonho e mexa os dedos do pé, os punhos, o pescoço. Vá se encontrando, se vivendo. Acorde aos poucos, sem pressa. Acorde como quem raia por de trás das montanhas.
li certa vez, em um twitter por aí:
“A-cor-dar: dar ao dia a cor que vc quiser”
bem isso
=)