O objeto é solitário. Não existe parceria. Até mesmo aqueles em conjunto, são sozinhos. Alguns chamam de individualidade. Outros, privacidade. Ainda existem aqueles que insistem em nomear de unidade, ou dizem: o ser é único. Enfim, aquilo que, no fundo, é a solidão em sua mais nobre existência, torna-se algo diferente. Mas, é, na verdade, a mais forte realidade. O ser quer ser conjunto, mas é peça solitária. E não veja isso como problema. Isso é solução.
Um dia, vai pai. Vai mãe. Irmã. Irmão. Amigo. E você, continua vivo. E a morte, talvez, demore a te encontrar. E você, amigo, irmão, irmã, mãe, pai, um dia vai deixar de ser. E então? Morrer, talvez não dê. Até o sol é solitário. Vai ter e ser pai, mãe, irmão, irmã, amigo, mas vai ter ninguém e vai deixar de ser. Infelizmente, é assim. Desculpe.
E com tanta gente, continua-se só. Vai solidão por ai, vem dali. Solidão em conjunto. Solitários juntos. Sozinhos em comunhão. Punhados de solitários pelos bares. Grupos de sós. Todo mundo junto. Só sozinhos sabemos a solidão, mas só em mais de um que entendemos a solidão. E que fique claro: solidão não é triste.
